Dia mundial do Holocausto
Sunday, January 28th, 2007Acho oportuno colocar aqui no meu blog algo relacionado a este assunto.
Não tive como postar no dia 27/01, por isso vai com um dia de atraso.
A data é uma homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas do extermínio nazista.
Vários países, incluindo Grã-Bretanha, Itália e Alemanha, já consideram 27 de janeiro o dia da memória das vítimas do Holocausto porque foi nessa data, em 1945, que os soviéticos liberaram o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.
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Nesta oportunidade colocarei aqui neste espaço um pouco sobre Chiune Sugihara, de abençoada memória, um justo entre as nações.
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Quem foi Chiune Sugihara?
Durante a última metade de século, as pessoas se perguntaram, “quem foi Chiune Sugihara?”. Elas também perguntaram, ‘Por que ele arriscou sua carreira, sua fortuna familiar, e as vidas de sua família para emitir vistos a refugiados judeus na Lituânia?”. Estas não são questões fáceis de responder, e pode não haver um único conjunto de respostas que satisfarão nossa curiosidade e indagação.
Chiune (Sempo) Sugihara sempre fez as coisas àssua própria maneira. Ele nasceu em 1º de janeiro de 1900. Graduou-se no colégio com notas altas e seu pai insistiu que ele se tornasse médico. Mas o sonho de Chiune era estudar literatura e viver no exterior. Sugihara freqüentou a prestigiosa Universidade Waseda de Tóquio, para estudar inglês. Ele pagou por sua própria educação com trabalho em meio-período, como estivador e tutor.
Um dia ele viu um anúncio nos classificados. O Ministério do Exterior estava em busca de pessoas que desejassem estudar no exterior e pudessem estar interessadas em carreira diplomática. Ele passou no difícil exame admissional e foi enviado para o intituto de língua japonesa em Harbin, China. Ele estudou russo e graduou-se com honras. Ele também converteu-se ao cristianismo ortodoxo grego. Em Harbin, ele conheceu e se casou com uma mulher caucasiana. Mais tarde eles se divorciaram. A natureza cosmopolitana de Harbin, China, abriu seus olhos para o quão diverso e interessante era o mundo.
Ele então serviu ao governo controlado pelos japoneses na Manchúria, no nordeste da China. Mais tarde ele foi promovido a Vice-Ministro do Departamento de Negócios Estrangeiros. Logo ele estava prestes a ser o Ministro de Negócios Estrangeiros na Manchúria.
Na Manchúria, ele negociou a compra do sistema ferroviário manchuriano, de propriedade russa, pelos japoneses. Isto poupou ao governo japonês milhões de dólares, e enfureceu os russos.
Sugihara ficou perturbado pela política de seu governo e pelo tratamento cruel dos chineses pelo governo japonês. Ele entregou seu cargo em protesto em 1934.
Em 1938, Sugihara foi enviado para o escritório diplomático japonês em Helsinque, Finlândia. Com a Segunda Guerra Mundial ameaçando no horizonte, o governo japonês enviou Sugihara para a Lituânia para abrir um consulado em 1939. De lá ele reportaria os planos soviéticos e alemães. Seis meses depois, a guerra estourou e a União Soviética anexou a Lituânia. Os soviéticos ordenaram que todos os consulados fossem fechados. Foi neste contexto que Sugihara foi confrontado com pedidos de milhares de judeus poloneses fugindo da polônia ocupada pelos alemães.
SUGIHARA, O HOMEM
A história pessoal e o temperamento de Sugihara podem conter a chave de por que ele ter desafiado as ordens de seu governo e emitido os vistos. Sugihara puxou àspersonalidade da mãe. Ele se fez gentil, protetor e artista. Ele estava interessado em idéias do exterior, religião, filosofia e língua. Ele queria viajar o mundo e ver tudo o que havia, e experimentar o mundo. Tinha um forte senso de valor por toda a vida humana. Seus dotes linguísticos mostram que ele esteve sempre interessado em aprender mais sobre outros povos.
Sugihara foi um homem humilde e compreensivo. Ele era abnegado, tímido e tinha um ótimo senso de humor. Yukiko, sua mulher, disse que ele achou muito difícil disciplinar as crianças quando elas não se comportavam. Ele nunca perdeu seu temperamento.
Sugihara também cresceu no rígido código de ética japonês de uma família samurai da virada do século. As virtudes mais importante de sua sociedades eram ‘oya koko’ (amor àsfamília), ‘kodomo na tamane’ (pelo bem das crianças), ter ‘gidi’ e ‘on’ (dever e responsabilidade, ou obrigação de honrar uma dívida), ‘gaman’ (retenção das emoções), ‘gambate’ (força interior e desenvoltura), e ‘haji no kakate’ (não trazer vergonha àsfamília). Estas virtudes foram fortemente inculcadas pela família samurai de classes média rural de Chiune.
Foi preciso enorme coragem para Sugihara desafiar a ordem de seu pai para se tornar um médico, e em vez disso, seguir seu próprio caminho acadêmico. Foi preciso coragem para deixar o Japão e estudar no exterior.
Era preciso ser um homem japonês muito liberal para se casar com uma mulher caucasiana e se converter ao cristianismo. Foi preciso ainda mais coragem para se opor abertamente àss políticas de expansão militar japonesas nos anos 30.
Assim, Sempo Sugihara não era um homem japonês comum e pode não ter sido um homem comum. No tempo em que ele e sua mulher Yukiko pensavam na má situação dos refugiados judeus, ele era assombrado pelas palavras de uma velha máxima samurai: “Nem mesmo um caçador pode matar um pássaro que voa para buscar refúgio nele”.
Quarenta e cinco anos depois de ele assinar os vistos, Chiune foi questionado de por que ele o fez. Ele gostava de dar dois motivos: “Eles eram seres humanos e eles precisavam de ajuda” ele dizia. “Estou contente de ter encontrado força para tomar a decisão de os dar a eles.” Sugihara era um homem religioso e acreditava num deus universal de todas as pessoas. Ele gostava de dizer, “Eu posso ter que desobedecer meu governo, mas se eu não fizer, eu estaria desobedecendo a Deus.”
A ESCOLHA DE SUGIHARA
O tempo começou a se esgotar para os refugiados àsmedida que Hitler estreitava a rede ao redor da Europa Oriental. Os refugiados tiveram uma idéia, a qual eles apresentaram a Sugihara. Eles descobriram que as duas ilhas coloniais holandesas, Curaçao e Suriname, situadas no Caribe, não exigiam vistos formais de entrada, e o consul holandês os informou que ele estaria disposto a carimbar seus passaportes com um visto holandês para aquele destino. Além disso, o cônsul holandês havia recebido permissão de seu superior em Riga para emitir tais vistos e eles estavam dispostos a emitir esses vistos a qualquer um que pudesse pagar uma taxa.
Para se chegar a essas duas ilhas, era preciso passar pela União Soviética. O cônsul soviético, que era simpático àsmá situação dos refugiados, concordou em deixá-los passar sob uma condição: que além do visto holandês, eles também obtivessem um visto de trânsito dos japoneses, pois eles teriam que passar pelo Japão em seu caminho para Curaçao ou Suriname.
Sugihara tinha uma decisão difícil a tomar. Ele era um homem crescido na disciplina rígida e tradicional dos japoneses. Ele era um diplomata de carreira, que subitamente tinha que fazer uma escolha muito difícil. Por um lado, ele estava ligado àsobediência tradicional que lhe foi ensinada por toda a sua vida. Por outro, ele era um samurai que recebera ordens para ajudar àsqueles em necessidade. Ele sabia que se desafiasse as ordens de seus superiores, ele seria demitido e desonrado, e provavelmente não trabalharia novamente para o governo japonês. Isto resultaria numa enorme dificuldade financeira para sua família no futuro.
Chiune e sua esposa Yukiko Sugihara até mesmo temeram por suas vidas ao tomarem esta decisão. Eles concordaram que eles não tinham chance neste caso. O Sr. Sugihara disse, “Eu posso ter que desobedecer meu governo, mas se eu não fizer, eu estaria desobedecendo a Deus.” A Sra. Sugihara lembrou que “os olhos dos refugiados estavam tão intensos e desesperados - especialmente das mulheres e crianças. Elas eram centenas de pessoas em pé do lado de fora.” Cinqüenta anos depois da decisão deles, a Srª Sugihara disse: “a vida humana é muito importante, e ser virtuoso na vida também é importante.” Esta foi a decisão que no final das contas salvaria o segundo maior número de judeus na Segunda Guerra Mundial. Eles escolheram ajudar os milhares que se aglomeravam em seu consulado em Kaunas.
A escolha feita pelos Sugiharas foi um dilema moral que milhares de cônsules de tod o o mundo enfrentavam todos os dias. Poucos perdiam o sono por fecharem as portas na cara dos judeus. Esses cônsules seguiam as regras àsrisca e, em muitos casos, eram mais rígidos em emitir vistos do que era exigido por seus governos. Milhares poderiam ter sido salvos se outros cônsules tivessem agido mais como Sugihara. Se 2.000 deles tivessem sido como Chiune Sugihara, um milhão de crianças judias poderiam ter sido salvas dos fornos de Auschwitz.
VISTOS PARA A VIDA
Por 29 dias, de 31 de julho a 28 de agosto de 1940, o Sr. e a Srª Sugihara permaneciam sentados, incansavelmente, por horas a fio, assinando vistos com suas próprias mãos. Hora após hora, dia após dia, durante três semanas, eles escreveram vistos. Foram mais de 300 vistos por dia, o que normalmente seria mais de um mês de trabalho para o cônsul. Yukiko também o ajudou a registrar esses vistos. No fim do dia, ela massageava as mãos fatigadas dele. Ele nem mesmo parava para comer. Sua esposa lhe dava sanduíches. Sugihara escolheu não perder um minuto, porque as pessoas estavam em fila em frente ao seu consulado, dia e noite, àsespera destes vistos. Quando alguns começaram a subir a cerca para entrar no recinto, eles saíram e os acalmaram. Ele lhes prometeu que enquanto houvesse uma só pessoa de fora, ele não os abandonaria.
Depois de receber seus visas, os refugiados não perderam tempo em pegar o trem que os levou até Moscou, e pela ferrovia Trans-Siberiana para Vladivostok. De lá, a maioria deles seguiu para Kobe, Japão. Eles receberam permissão para ficar em Kobe por vários meses. Eles foram então enviados para Xangai, China. Todos os judeus poloneses que receberam vistos sobreviveram em segurança, sob a proteção do governo japonês em Xangai. Eles sobreviveram, graças àshumanidade e coragem de Chiune e Yukiko Sugihara. Os vistos que eles emitiram tornaram-se passaportes para o mundo dos vivos. Quando Sugihara teve que deixar Kaunas para seu próximo posto em Berlim, ele entregou o carimbo de visto para um refugiado, e a vida foi concedida a muitos outros judeus.
Em 1945, o governo japonês, sem entremeios, demitiu Chiune Sugihara do serviço diplomático. Sua carreira como diplomata estava aos pedaços. Ele teve que recomeçar sua vida. Sugihara ficou sem emprego fixo por mais de um ano. Noutros tempos uma estrela ascendente no serviço de exterior japonês, Chiune Sugihara trabalhou por meio período como tradutor e intérprete. Pelas últimas duas décadas de sua vida, ele trabalhou como gerente de uma companhia de exportações com negócios em Moscou. Este foi seu destino por ter se atrevido a salvar milhares de seres humanos da morte certa.
Hoje, 50 anos após o evento, pode haver 40.000 pessoas ou mais que devem suas vidas a Chiune e Yukiko Sugihara. Duas gerações vieram depois dos sobreviventes de Sugihara, e eles devem suas vidas aos Sugiharas. Todos os sobreviventes o chamam de seu salvador, alguns o consideram um homem sagrado, e alguns acham que ele foi um santo. Yukiko Sugihara recordou que todas as vezes que ela e seu marido se encontraram ou ouviam falar das pessoas que eles salvaram, eles sentiam grande satisfação e felicidade. Eles não se arrependeram.
Depois da guerra, o Sr. Sugihara nunca mencionou ou falou a ninguém sobre seus feitos extraordinários. Foi apenas em 1969 que ele foi encontrado por um homem que ele havia ajudado a salvar. Logo, muitos outros a quem ele tinha salvo apareceram e testemunharam ao Yad Vashem (Memorial do Holocausto) em Israel, sobre seus feitos salva-vidas. Os sobreviventes de Sugihara entregaram centenas de testemunhos em favor de seu salvador. Depois de coletar os depoimentos de todo o mundo, o comitê do Yad Vashem percebeu a enormidade da abnegação deste homem para salvar judeus. Antes de sua morte, ele recebeu a maior honraria de Israel. Em 1985, ele foi reconhecido como “Justo Entre as Nações” pela Yad Vashem Martyrs Remembrance Authority em Jerusalem. Ele também estava muito doente para viajar; sua esposa e filho receberam o título em seu nome. Depois, uma árvore foi plantada em seu nome, e um parque em Jerusalém foi batizado em sua homenagem.
Ele disse que estava muito feliz com as honras. “Eu acho que minha decisão foi humanamente correta.”
Fonte: http://h-doc.vilabol.uol.com.br/sugihara.htm
Assista este pequeno documentário no youtube (em inglês): http://www.youtube.com/watch?v=tBXCYxSYbQs