Minha vida após a cirurgia: Novas perspectivas

Hoje fazem 2 meses e dois dias que eu fiz a gastrectomia vertical, também conhecida como

sleeve gástrico que é a retirada de uma parte do estômago.

Muitos generalizam chamando qualquer cirurgia do gênero apenas como

cirurgia bariátrica ou a mais popular “cirurgia de redução do estômago”.

Eu nunca fui muito a favor deste tipo de cirurgia, mesmo estando

em uma situação de obesidade mórbida grave eu nunca considerei a cirurgia

como uma opção, pois, eu dizia que não me mutilaria para fins estéticos.

Sim, eu pensava nesta cirurgia apenas como algo estético.

Sim, minha mentalidade era de uma pessoa idiota.

Eu decidi fazer a cirurgia quando fui ao cardiologista para realizar exames

que costumo fazer periodicamente, e ele detectou alguns problemas que

poderiam ser muito graves a longo prazo a ponto de ser necessário fazer

um transplante, e o médico me disse que eu deveria perder peso o mais rápido possível e me

sugeriu fazer a cirurgia.

Nesta hora me passaram mil coisas pela cabeça:

  • Sério que a solução mais prática é eu me mutilar?
  • Mas se eu não me mutilar, meus filhos podem ficar sem pai antes da hora.
  • E minha esposa? Como ela vai fazer para cuidar dos meus filhos sozinha?
  • Não vou fazer cirurgia. Vou fazer dieta.
  • Mas dieta eu já fiz e não adiantou mer… digo, caquinha nenhuma.

Foram vários os momentos de instrospeção como esse e eu acabei

decidindo que iria fazer a tal cirurgia, para meu bem e o bem de

minha família.

A primeira coisa que fiz foi marcar consulta com um monte de médicos, para

ver eu estava apto a realizar o procedimento, marquei consulta com

pneumologista, ortopedista, nutróloga, neurologista, psicóloga, além é claro

do cardiologista e do cirurgião gastro.

Todos eles concordaram com a indicação à cirurgia, então de posse de todas

essas indicações eu me organizei para dar entrada com o plano de saúde, parte essa

que mais me deixava apreensivo,pois, sempre escutei relatos de que os

planos de saúde costumam travar, encontrar motivos para rejeitar o pedido,

coisas assim, mas no meu caso foi muito tranquilo e em 3 dias o pedido havia

sido aprovado.

Nesta hora que eu percebi que estava meio ansioso para fazer a cirurgia,

o que me surpreendeu porque eu sempre havia rejeitado a idéia de

realizar tal procedimento.

Quem é gordo sabe como é, não pode ir em lugar nenhum que sempre vai

aparecer um gaiato perguntando porque a gente não faz a cirurgia ou

nos passando dietas mirabolantes que a tia da madrinha da amiga da cunhada

de um vizinho fez e perdeu 600kg em dois meses.

Sempre que alguém me abordava com esse papo eu cortava na hora, as vezes

até era mal-educado, eu só escutava e fingia ter interesse quando a pessoa

era gente boa e educada, aí eu me controlava, senão eu mandava logo tomar

no meio do fiofó.

Mas voltando à cirurgia, com a papelada em mãos eu marquei a data e no

dia 07/03/2014 por volta de 20h eu fui internado pois a cirurgia

seria no dia 08/03/2014 as 6 horas da manhã.

É importante lembrar que durante algumas semanas antes da cirurgia eu me preparei

com a ajuda de uma fisioterapeuta, fiz exercícios respiratórios e físicos que

eu mal aguentava por que eu não tinha preparo físico nenhum.

Durante o período em que fiquei internado o único momento ruim foi na hora

em que foi colocada a sonda vesical, só de lembrar eu sinto náuseas e eu

não queria falar não, mas, minha esposa desmaiou ao ver o procedimento.

Foi sinistro, eu com aquele apetrecho pendurado no meu bilau sem conseguir

levantar para tentar acudir minha esposa, que, graças a D-us se recuperou rápido.

Aproveito para dizer que minha esposa me ajudou muito e ainda me ajuda

a manter a linha e o foco nesta minha nova jornada, sem a ajuda dela

eu acho que não estaria conseguindo estes resultados.

Continuando… No dia 08/03/2014 as 06:00, conforme programado eu estava no centro

cirúrgico me preparando para passar por este procedimento que eu esperava

que mudaria minha vida.

Eu nunca tinha entrado num centro cirúrgico na minha vida, é um ambiente

gelado, com aqueles aparelhos que dão até medo e quando a equipe

foi chegando e cada um cuidando da sua parte eu caí na real e pensei:

“Já era. Se era pra desistir, melhor ter desistido antes, agora seja

o que D-us quiser”.

Enquanto estava lá deitado, eu pensei em minha família e rezei pedindo a

D-us que tudo ocorresse bem se essa fosse a vontade Dele.

Me lembro de pouca coisa que aconteceu no centro cirúrgico, me lembro que

colocaram alguma coisa no meu braço que ficava dando choque e uma máscara

no meu rosto, só isso.

Quando acordei, a enfermeira me disse que tinha tudo ocorrido bem e eu

estava sendo levado para a UTI, que para mim foi a parte mais difícil

de todo o procedimento.

Antes de fazer a cirurgia, eu pensava: Vou levar um livro para ler enquanto

estiver na UTI, vai ser um ambiente tranquilo, sem ninguém me chamando,

ótimo para uma boa leitura.

** Tolinho **

Eu praticamente não dormi, sentia umas dores incômodas, não conseguia me mexer,

senti uma sede enorme e não podia beber água. Foi horrível.

Mas e agora?

A recuperação foi tranquila. Depois que recebi a alta do hospital (além

do dia na UTI eu fiquei 2 dias internado), eu estava me sentindo tão bem

que 5 dias após a cirurgia eu fui numa feira agropecuária aqui na minha cidade

para dar uma passeada, mas, foi uma péssima idéia porque neste dia a noite

eu tive que voltar ao hospital para tomar medicamentos porque estava sentindo

dores horríveis.

Não recomendo sair pra passear após apenas alguns dias da operação. Fica a dica.

Depois desse vacilo eu me cuidei direitinho e passei a seguir todas as

recomendações médicas, que basicamente eram repousar, tomar os medicamentos

e fazer a dieta que me foi passada.

Dieta, ah, a dieta

Na verdade eu não sentia fome, então eu aguentava aqueles copinhos de 50ml,

o famoso copinho de cafézinho a cada 30 minutos, a maior dificuldade era a sede,

pois não podia tomar mais do que um copinho desses de água a cada 30 minutos

e minha sede era muito grande.

Fora isso foi tranquilo.

E hoje

Hoje eu me sinto muito bem, estou 30 kg mais leve e já consigo fazer coisas

que eu nem sonhava.

Eu não gostava de andar e hoje percebo que não gostava porque não conseguia

nem mesmo caminhar mais do que 500 metros sem parecer que estava morrendo

com os pulmões saltando pela boca, sem minhas canelas doerem e as panturrilhas,

também conhecidas como batatas das pernas parecem que estavam num incinerador.

Hoje eu caminho 5km tranquilamente, sem cansar muito. Só não caminho mais

porque estou pegando leve, não estou tomando mais remédios para a pressão,

que, está se mantendo em 11/7, antes ficava em 16/11, 14/10, etc.

Posso dizer que está uma maravilha e se eu soubesse que seria assim, eu

nunca teria pensado da maneira que eu pensava (mutilação, etc.).

Minha saúde está bem melhor, minhas roupas que antes mal cabiam, camisas que

pareciam estar coladas no meu corpo, calças que eu precisava prender a respiração

para poder fecha-las, até roupas que nem entravam, agora estão cabendo,

algumas estão tão grandes que nem dá para usar mais sem ficar parecendo um

palhaço, lembrando que os 30 dias após a cirurgia não são fáceis, mas depois disso

tudo começa a mudar, os primeiros 30 dias são os dias que precedem uma nova vida, então

se um dia você for fazer essa cirurgia e eu puder te dar um conselho, esqueça

os 30 primeiros dias pós-cirugia e siga em frente.

Até meu lado geek está mais feliz, porque uma camiseta do Zend Framework

que importei diretamente da Zend, em 2008 e que nunca usei porque ela não

coube mesmo sendo XXG já está cabendo. o/

Antes eu tinha vergonha de falar, mas agora não mais, meu peso antes da

cirurgia era 196kg, porque consegui perder 3kg antes de passar pelo procedimento,

então meu peso era 199kg e hoje estou com 166kg.

Eu estava beirando os 200kg, que absurdo.

E eu posso dizer, que eu me auto-iludia pensando que podia ser feliz

daquela maneira, na verdade eu sempre tentei ser uma pessoa alegre, mas,

no fundo a gente sofre e sofre de uma maneira que só sendo obeso mórbido para

saber como que é.

Eu não vou dizer que recomendo a todos que façam a cirurgia pois essa é uma decisão

pessoal, que deve ser estudada, analisada e discutida com os familiares, então eu não

ousaria dizer para alguém fazê-la, até porque eu ficava indignado quando tentavam fazer

isso comigo. O que eu posso dizer é que para mim está funcionando e se eu soubesse que

seria como está sendo, eu a teria feito antes.

Realmente tudo está mudando, é muito bom poder fazer coisas que antes

eu não conseguia, muitas delas coisas simples como um simples ato de amarrar os

sapatos, que para um obeso mórbido como eu, era algo praticamente impossível de ser feito.

Resumindo: Vida Nova.

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